Uma rosa é uma rosa é uma rosa

Foto: Cláudio Vieira/ O Vale


A partir deste domingo, São José dos Campos estará sob nova direção. Sai Carlinhos Almeida (PT), entra Felício Ramuth (PSDB).


É uma mudança e tanto.

Carlinhos deixa o poder em forte viés de baixa. Fez um governo fraco e perdeu a chance de reeleição em um sonoro 7 a 1 nas urnas de outubro.  Prestes a deixar o governo, mais problemas: em menos de uma semana, foi citado na Lava Jato, transformado em réu no processo dos kits escolares e cassado pelo TRE, na companhia de seu vice, Itamar Coppio (PMDB). Muita gente viu nessa semana maldita o fim antecipado do governo Carlinhos. Lego engano. A política é um bicho caprichoso e requer atenção redobrada. Para quem sabe ler, pingo é letra. Mas nem tudo é como que parece.
O governo ruiu, na verdade, anos atrás, quando perdeu seu alicerce junto à sociedade. O que veio depois, até a derrota nas urnas, foi conseqüência.

Quando ele ruiu?
Carlinhos já havia perdido pontos ao transformar suas promessas eleitorais em resultados pífios. Foi assim com o mutirão da Saúde e com a promessa de governar com as melhores cabeças de São José. Mas a pá de cal no governo foi lançada quando Carlinhos veio a público discutir o preço do palito de sorvete no auge do escândalo dos kits escolares. O governo havia pago R$ 11,16 por cada caixa com 100 unidades, encontrada pelo Ministério Público por R$ 2,36 nas papelarias da cidade, segundo valores de 2014. Enquanto o MP pedia sua cassação e falava em desvio de milhões dos cofres públicos, o prefeito ia aos jornais, às rádios e TVs discutir centavos e culpar erros de digitação.

O governo tirou a seriedade de cena e virou piada.
E o riso, já mostrou Umberto Eco em “O Nome da Rosa”, pode ser mais mortal que uma punhalada.
Desde então, a gestão Carlinhos passou a vagar em busca do respaldo perdido, como vagavam, sem sucesso, os personagens de Luigi Pirandello, fantasmas em busca de um autor.  A magia das urnas de 2012 se esgotou, a ajuda federal não veio, os projetos não vingaram. Carlinhos posou de tocador de obras que não existiam além da publicidade oficial, fartamente irrigada. Não bastou. Os poucos acertos, como a obra do Cine Teatro Benedito Alves, não compensaram os erros. E mais uma vez o PT fracassou à frente do Paço.

Podia ser diferente?
Sim, podia, com certeza, se Carlinhos não caísse na falsa ilusão de que um simples cargo  deixa seu ocupante imune ao erro. Este talvez seja o maior legado de Carlinhos a Felício, mais importante, com certeza, que as milhares e milhares de páginas do relatório de transição, recheadas de números, mas vazias de informação. A lição que fica é que cargo não basta para quem não sabe exercê-lo. É triste, mas é verdade. À vitória nas urnas segue o tempo de gestão, que cobra projetos, ações e decisões compatíveis com o que a sociedade espera do governante. É uma lição cruel, mas verdadeira.


E agora?


Todo poder é transitório.
Que Carlinhos tenha aprendido, enfim, essa lição, tornada mais amarga com a derrota. Que Felício não a perca de vista, após a vitória. Boa sorte a ambos. 


PS: O título deste artigo é uma frase famosa do poema "Sacred Emily",  de Gertrud Stein, um marco da poesia moderna
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10 comentários:

  1. Discordo quando dá a entender que Carlinhos Almeida poderia ganhar se não cometesse tantos erros.
    Não importa o que ele fez ou deixou de fazer, ele é do PT e isso, por isso já sinalização derrota pela questão nacional em que o partido se envolveu - verdade ou não, o povo acreditou nas acusações.
    Além disso, o candidato do PSDB, qualquer nome que fosse, era o virtual eleito porque foi apoiado por Eduardo Cury e, principalmente; Emanuel Fernandes, o maior cabo eleitoral da região, assim como foi Ortiz num passado recente.
    Em resumo, penso: se Carlinhos tivesse feito o dobro ainda assim estava escrito: a derrota era certa.
    Embora de Taubaté, acompanho a política Joseane.
    No mais, embora não concordando nesse aspecto, esse artigo e os próximos terão um público cativo porque você é uma das maiores expressões do jornalismo da EMBale.

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  2. obrigado, LC, pelo seu comentário. espero contar com você neste espaço. afinal, de política, você é catedrático. abraço

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  3. Republicanos deve aos erros:

    Discordo quando dá a entender que Carlinhos Almeida poderia ganhar se não cometesse tantos erros.
    Não importa o que ele fez ou deixou de fazer, ele é do PT e isso, por si só, já sinalização derrota pela questão nacional em que o partido se envolveu - verdade ou não, o povo acreditou nas acusações.
    Além disso, o candidato do PSDB, qualquer nome que fosse, era o virtual eleito porque foi apoiado por Eduardo Cury e, principalmente, Emanuel Fernandes, o maior cabo eleitoral da região, assim como foi Ortiz num passado recente em Taubaté.
    Em resumo, penso: se Carlinhos tivesse feito o dobro de obras ainda assim a derrota era certa.
    Embora de Taubaté, acompanho a política joseense.
    No mais, embora não concordando nesse aspecto, esse artigo e os próximos terão um público cativo porque você é uma das maiores expressões do jornalismo da RMVale.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Os horários que marcam o post estão todos errados. Neste momento dígito este texto às 12h29.
    Isso pode comprometer dependendo da situação, rs

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  6. Caro amigo que nessa dupla jornada tenha muito sucesso e muitas alegrias, iniciar o ano e já com novo sucesso e mostrar sua capacidade de sempre, parabéns

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  7. Este político, Carlinhos, perdeu simplesmente por não dar cumprimento as questões básicas que afligem a população. Esqueceu-se que comandava uma cidade industrial e com população bem formada. Isto deverá acontecer com todos que ousarem prometer e não cumprir. Assim espero. Brasilino Neto

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  8. Brasilino, discordo de você. Em Taubaté, segundo o jornal O Vale, o prefeito teria cumprido 15% e foi reeleito no primeiro um turno.

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  9. Brasilino, discordo de você. Em Taubaté, segundo o jornal O Vale, o prefeito teria cumprido 15% e foi reeleito no primeiro um turno.

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  10. só para provocar LC Batista e Brasilino, o PT foi uma âncora na candidatura de Carlinhos, mas não foi só esse fator do fracasso dele nas urnas.
    Tem casos de prefeitos do PT que conseguiram a reeleição. Raros, mas têm. Em Delfim Moreira, por exemplo, Fernando Coura (PT) conseguiu um segundo mandato raspando na trave: teve 2.708 votos contra 2.616 votos de Carlos do Calite (PTB). Claro, lá não tem Emanuel Fernandes e Eduardo Cury. Mas fica o registro

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