Qual é a música, maestro?


Maestro Zezinho, com uma nota, qual é a música?

Esse bordão fez parte de um dos maiores sucessos da TV brasileira, o “Qual é a Música”, apresentado por Silvio Santos com participação de José Batista da Silva Junior, o maestro Zezinho, o comandante do leilão de notas musicais.

O que isso tem a ver?

Outro dia fiz um artigo sobre a trilha sonora do governo Carlinhos Almeida (PT), que, para mim, é “Ragatanga”, aquele sucesso do grupo Rouge que tinha um refrão que ninguém entendia direito. É o retrato da gestão de Carlinhos: seguia uma lógica que ninguém sabia ao certo. Bem, para vaiar, meus amigos do PT não gostaram. “Esse negócio de Ashere-rê não tem nada a ver com o PT”, disse um amigo, me acusando de tentar ridicularizar o partido. Um caso de mau humor ideológico, cintura dura ou ouvidos moucos, sei lá ...

Bem, para provar que música e humor genuínos não têm ideologia, me propus a encontrar uma trilha sonora para o governo Felício Ramuth (PSDB), que ontem fez um mês.
É uma tarefa mais complicada. Afinal, Carlinhos teve quatro anos para desenvolver sua sinfonia. Ou seria cacofonia? Em todo caso, sou teimoso e fui à luta. Mas, como diria Chapolim Colorado, não contavam com a minha astúcia: resolvi pedir ajuda a amigos, da direita, do centro, da esquerda e da extrema esquerda.

Afinal, maestro Zezinho, qual é a música do governo de Felício Ramuth?

As respostas foram as mais variadas possíveis. Um amigo tucano, ligado às raízes, sugeriu o clássico de Almir Satter, lindo na voz de Sergio Reis, “Tocando emFrente”. “Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais”. Nada a ver. Outro tucano mais exagerado apostou todas as fichas em “O Portão”, de Roberto Carlos, com aqueles versos que parecem soar tão bem aos ouvidos dos tucanos: “Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar”. Bem, na voz do Rei fica melhor. Os caras estão impossíveis ...

Um amigo mais gozador foi direto: o melô do Felício é aquele velho sucesso do Trem da Alegria, “Eu tenho a força”, inspirado no desenho animado do He-Man. Lembra? “Eu tenho a força, sou invencível; vamos amigos, unidos venceremos a semente do mal”. Vixi. Como diria Luiz Inácio Lula da Silva, menas ...

E meus amigos do PT? Bem, um deles, com espírito de vingança, sugeriu “Ragatanga”.
Não, “Ragatanga” não dá, é do Carlinhos. Felício vai precisar de esforçar muito para fazer um governo pior que Carlinhos. Outro apostou no sucesso de Raul Seixas para a criançada, “Carimbador Maluco”. Afinal, para ele, o governo do PSDB será como o refrão da música: “plunct plact zum, não vai a lugar nenhum”. Boa viagem? Bem, ele pode até estar certo, mas é cedo ainda  para saber. Um terceiro, mais radical, sugeriu “Pra você parar”, de Lulu Santos, inspirado em Tim Maia, para embalar os assessores indicados a cargos de confiança do governo do PSDB: “casa, comida e roupa lavada e cenzinho pra parar de se virar”. Que maldade, gente, tem aspone no governo, mas também tem muito profissional competente por lá ...


Mas, confesso, não achei ainda o tom ...
A receita é não  perder o humor. Meu amigo leitor, me ajuda nessa: Maestro Zezinho, afinal, com uma nota, qual é a música?
Qual é a música, maestro? Qual é a música, maestro? Reviewed by blog dois pontos on 09:24 Rating: 5

2 comentários:

  1. Vamos fazer a cidade
    Virar felicidade
    Com a nossa canção
    Vamos fazer essa gente
    Voar alegremente
    No nosso balão!

    Superfantástico, Balão Mágico

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  2. boa sugestão, Eurídice, vai entrar para a lista. obrigado

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