Caminho das pedras



Na nova secretaria arquitetada por Felício Ramuth (PSDB), José de Mello Corrêa cobra escanteio, cabeceia e, de quebra, pega a bola no fosso.

Parece, mas não é exagero.

No organograma planejado pelo governo do PSDB, de enxugar a máquina, cortar caminhos e descomplicar a gestão pública, a Secretaria de Gestão Administrativa e Finanças assumiu diversas tarefas e funções. Estão sob controle direto da pasta cinco andares do prédio do Paço: o quinto, onde ficava a antiga Secretaria de Fazenda, hoje semiabandonado após a saída da antiga Secretaria de Desenvolvimento Econômico; o primeiro, onde ficava a antiga Secretaria de Administração e está hoje o novo organismo, inclusive com o gabinete do secretário; além do térreo e de dois subsolos. Saem dali todas as licitações e compras, a gestão de pessoal e o controle do Orçamento 2017, bastante complicado. Para os críticos, algumas funções seriam incompatíveis entre si, como ordenar despesas e pagar por elas. Mello minimiza a crítica.

-- É uma crítica isolada – garante.

A principal tarefa da nova pasta é colocar a casa em ordem e descobrir novas formas de cortar despesas e reduzir eventuais desperdícios.

-- O que está sendo feito para isso? – pergunto ao secretário no final da tarde de quarta-feira, durante entrevista realizada em seu gabinete.

Mello começa a discorrer sobre diversas ações tomadas desde a posse, a começar pelas licitações para compra de material escolar e para definição de uma nova empresa responsável pela coleta de lixo no município. E passa, necessariamente, pela suspensão do contrato de R$ 20,1 milhões com a empresa NTC para fornecimento e instalação de um novo sistema de gestão financeira para a Prefeitura de São José dos Campos, fechado no final do governo Carlinhos Almeida (PT). A interrupção, por 90 dias, foi definida pela comissão especial criada pelo governo Felícia para analisar contratos firmados na administração do PT. “O sistema atual atende nossas necessidades”, comentou.

Outra medida, sempre na ponta de língua, foi a decisão de receber o IPTU 2017 antecipado, a partir de fevereiro.

-- Era um período em que a prefeitura precisava de caixa e isso nos garantiu R$ 100 milhões – disse Mello.

Para o secretário, no entanto, a maior realização do governo foi, até aqui, a recuperação da credibilidade da prefeitura, obtida por meio do escalonamento das dívidas herdadas do governo Carlinhos e do compromisso de pagar em dia as despesas geradas pela atual administração. A sombra da gestão do PT está em presente no dia a dia e em diversos atos do novo governo. Entre goles de café e algumas bolachas, trazidas pela atenta secretária Benny, Mello é econômico nas críticas.  “Está na hora de parar de olhar para trás e olhar para frente, para colocar o nosso projeto de cidade.”

Então, o que falta fazer?

-- É preciso continuar fechando torneiras, sempre dá para economizar – garante.

Um dos focos atuais é o contrato de gestão com as Organizações Sociais que são parceiras do município em diversas frentes. O diagnóstico inicial é que é possível enxugar despesas. Um exemplo? Com a mudança do Ipplan (Instituto de Pesquisa, Administração e Planejamento) de um casarão na zona nobre da cidade para o Parque Tecnológico, o município reduziu as despesas de aluguel de R$ 50 mil para R$ 12 mil por mês. Estão sendo analisados ainda gastos com administração nas OSs do Esporte e do Parque Tecnológico, por exemplo. “Precisamos entender caso a caso antes de qualquer decisão.”

Outra frente tem como alvo a frota oficial de veículos.

Veículos antigos, com preço estimado em R$ 15 mil, mas com despesa de manutenção superior a R$ 3.000, terão um destino: o leilão. Medida semelhante foi adotada durante o governo Carlinhos Almeida, que realizou três leilões em menos de dois anos sob a alegação de queda na receita. Somados, os dois primeiros arrecadaram R$ 850 mil. Agora, Mello estima que 30% da frota pode ir a leilão.

-- Esse é um esforço contínuo, que vai até o último dia do governo – afirma.

Mas o governo Felício Ramuth já tem data marcada para passar a régua e colocar sua agenda de obras e ações, olhando para frente, como disse o secretário. Mas este é o tema do último post da entrevista com José de Mello Corrêa.


Amanhã, passando a régua.
Governo faz balanço dos primeiros 100 dias e prepara anúncio de metas para os próximos quatro anos
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