O Brasil da Odebrecht

O Brasil no Planisfério de Cantino, de 1502

Uma reflexão da sempre atenta newsletter Meio, do jornalista Pedro Doria, mostra o Brasil como ele é, pelo olhos da Odebrecht. Vale a pena ler:


Um dia após tornar públicos os pedidos de abertura de inquérito baseados nas delações de executivos da Odebrecht, o ministro Edson Fachin decidiu derrubar o sigilo dos vídeos com todos os depoimentos dos 77 delatores. A principal estrela filmada é, como não poderia deixar de ser, Marcelo Odebrecht.

Nas muitas entrevistas com os investigadores, o empreiteiro afirma que havia deixado à disposição do presidente Lula uma conta corrente com R$ 40 milhões que era gerida pelo ex-ministro Antonio Palocci. Ele afirma, ainda, que tinha em média, dois encontros longos com a ex-presidente Dilma todos os anos, embora seus principais interlocutores, no Planalto, tenham sido primeiro Palocci e, após, o também ex-ministro Guido Mantega. Ele não tem dúvida de que Dilma sabia, se não do valor preciso, ao menos da ordem de grandeza do dinheiro gasto por sua empresa com o caixa dois de campanha. Ela sabia, também, que boa parte era para o financiamento do trabalho do marqueteiro João Santana. “Não existe ninguém no Brasil eleito sem caixa dois”, ele afirmou. “Caixa dois era três quartos” do custo.

Sugestão de binge para o feriado: uma playlist com os depoimentos dos principais delatores da Odebrecht que já foram liberados.


Delações passadas não faltam. A Odebrecht pagou propina para fazer as obras do Sambódromo e dos CIEPS, no governo de Leonel Brizola, no Rio. Assim como pagou, em São Paulo, pela duplicação da Ferrovia Campinas/Santos e Usina Hidrelétrica de Nova Avanhandava (governo Paulo Maluf), Metrô de São Paulo e Rodovia Carvalho Pinto (governos Orestes Quércia e Luiz Antônio Fleury).

Pescado do depoimento de Emílio Odebrecht: “O que nós temos no Brasil não é um negócio de cinco, dez anos. Estamos falando de 30 anos atrás. Então tudo que está acontecendo era um negócio institucionalizado, era uma coisa normal, em função de todos esses números de partidos. Eles brigavam era por cargos? Não, era por orçamentos gordos. Ali os partidos colocavam seus mandatários com a finalidade de arrecadar recursos para o partido, para os políticos. Há 30 anos que se faz isso.”

Mas... ao falar sobre Lula, Emílio Odebrecht ri. “Foi de jacaré a crocodilo”, conta. “O pessoal dele estava com a goela muito grande.”


Vera Magalhães põe a lupa no quadro político para detectar, dentre possíveis candidatos à presidência, quais não parecem ter sido atingidos pelas investigações de Fachin: o tucano João Doria, o democrata Ronaldo Caiado, e, à esquerda, Marina Silva e Ciro Gomes. 

Alguns dos nomes citados na versão inicial da lista de inquéritos abertos pelo ministro Edson Fachin podem não ser investigados. São os deputados Jarbas Vasconcelos e Paes Landim, os senadores Marta Suplicy, Garibaldi Alves, José Agripino Maia e Maria do Carmo Alves, além do ministro Roberto Freire. Fachin quer saber da Procuradoria Geral da República se será possível punir algum deles. Todos têm mais de 70 anos, seus supostos crimes ocorreram há anos, as penas potenciais são baixas e, tudo somado, as chances de prescrição ao final do julgamento são altas.

O PSOL defende que políticos investigados pelo Supremo devem renunciar a cargos de liderança e relatorias importantes. É o caso, além dos presidentes das duas casas do Congresso, do relator da Reforma da Previdência, Arthur Maia.

Aliás... o vereador carioca Leonel Brizola Neto, do PSOL, é citado como receptor de propina da Odebrecht por conta dos Jogos Olímpicos. 
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