A flauta que me roubaram

Cassiano Ricardo

Apareceu a margarida ...

Depois de ficar anos e anos submerso em águas profundas de mares nem sempre navegáveis, reaparece, assim do nada, o projeto do Memorial Cassiano Ricardo, idealizado por Oscar Niemeyer para ser erguido em São José dos Campos. E reaparece por vias tortas: o projeto é o tema principal de um ofício assinado por Felício Ramuth (PSDB), sob número 102/2017, no qual o prefeito de São José dos Campos aceita disponibilizar, gentilmente, o projeto a seu colega de Caçapava, o prefeito Fernando Diniz (PV), que havia solicitado a doação. Assim, como quem não quer nada, o projeto que dois peso-pesados da cultura brasileira, Cassiano e Niemeyer, passa de mão como se fosse uma nota de R$ 2 em loja de R$ 1,99. Curioso ...

Levantada pela sempre atenta Paula Prado, editora de Cultura do jornal “O Vale”, essa história aguça meu instinto de repórter. Atingindo 7 graus na escala Richter, o instinto velho de guerra diz: tem caroço nesse angu.

Minha primeira pergunta é: onde estava o projeto estes anos todos? Tempos atrás, quando era editor-chefe do antigo jornal “ValeParaibano”, coloquei mais de um repórter na tarefa de tentar localizar o trabalho de Niemeyer dentro da Prefeitura de São José dos Campos e na Fundação Cultural, que leva o nome de Cassiano. Se fosse jogo de Batalha Naval, eu teria que gritar: Água! Nada, nenhuma pista, fora algumas respostas soltas. “Está no Planejamento”, disseram alguns. Ok, mostra pra gente, pedi. “É difícil achar”, responderam. E assim foi, por mais de uma vez. Voltei a insistir, já como editor-chefe do jornal “O Vale”. E nada do projeto aparecer. Claro, ele não tinha importância alguma. Afinal, quem é Cassiano? Mais: quem é Niemeyer?

Ironias à parte, a margarida, agora, deu as caras ...

Mais que caroço no angu, essa história tem mais buracos do que queijo suíço. Tem gente comparando esse caso a uma boa história de mistério, no melhor estilo de Agatha Christie, onde todos são culpados, no todo ou em parte. Para mim está mais para o jogo Detetive. É simples: basta seguir as pistas e unir as pontas soltas: barão, sala de jantar, candelabro. Como na vida real as coisas não são tão simples, talvez seja o caso da Prefeitura de São José dos Campos expor o projeto original de Niemeyer. Ou o Ministério Público abrir uma investigação sobre o caso para descobrir, afinal, onde a margarida esteve por anos e anos. De quebra, se algo estiver errado nesta história, azedou especialmente para uma pessoa: o prefeito Felício Ramuth colocou sua impressão digital nela ao assinar o tal ofício ...

Para aliviar a barra, alguns já falam que as doações se referem a cópias e nãos aos originais do projeto. Desculpa esfarrapada. Se a intenção da Prefeitura de Caçapava é erguer o Memorial, ela rui como castelo de areia.

Vamos esperar o próximo capítulo ...
A flauta que me roubaram A flauta que me roubaram Reviewed by blog dois pontos on 16:04 Rating: 5

7 comentários:

  1. Desconfio um pouco de onde ficou escondida essa tal margarida!!!

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  2. Helcio... margaridas à parte... é duro de engolir. Eu não consigo. Abraços Regina Celia Ricardo Gianesella

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    1. é triste mesmo, Regina. vamos torcer para que essa novela acabe bem

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  3. É um absurdo!!!!Quanto descaso ....Que falta de ética! !!

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  4. Um nome circula misteriosamente sobre este assunto,atual secretario de cultura Fabricio Correa.

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