Feliz aniversário, dona Nívia

Cara de um ...

Tem coisas que passam, que a gente não recupera nunca mais, mas que sempre enchem o peito de saudade quando se pensa nelas ...

Um gesto, uma palavra, um momento.

Neste domingo, 17 de dezembro, minha mãe, Maria Nívia, faria 93 anos. Era uma data sempre feliz. Ainda é para mim, três anos após sua partida. Não há dia em que não pense nela, uma presença constante em minha vida. A encontro em fotos pela casa, na minha memória e até no espelho. Dela herdei a cor morena da pele, o castanho escuro dos olhos e o nariz, assinatura genética do ramo Amorim da família. Dela herdei também um certo otimismo com a vida, que, junto com a determinação herdada de meu pai, Hélcio, faz de mim uma pessoa persistente, que não desiste das coisas, mesmo diante das adversidades, muitas vezes imensas. Lembro da minha mãe sempre com alegria, nunca com tristeza, apesar da tristeza que sua falta cala em minha alma. Mas, é involuntário, sua lembrança sempre abre um sorriso em meu rosto.

Dela sinto falta de um gesto ...

Toda vez que eu visitava meus pais, minha mãe me acompanhava até o portão da casa e, ao se despedir, colocava a cabeça no meu ombro e dizia baixinho: meu filho querido ...


Esse gesto me dava a certeza de um amor constante, incondicional, cristalino. Minha mãe foi uma mulher valente, que enfrentou e venceu a morte anunciada três vezes e que viveu até quase os 90 anos reclamando, já no hospital, da falta de sua taça diária de vinho no jantar. Criou família e filhos, educou netos, abriu sua casa e seus braços a amigos e parentes. Amou, foi amada.  Esteve sempre presente. Professora, me ensinou a ler e a escrever. Pela sua cartilha, leio e escrevo a vida até hoje.  Nela aprendi a compreender a bússola da vida e a identificar  o Norte mesmo em noites sem estrelas, mesmo durante a borrasca. Nela aprendi também a arte de sorrir, mesmo que a gente mesmo seja a razão da piada. Aliás, aprender a rir da gente mesmo é uma arte dominada por poucos. Por tudo isso, somado, neste dia 17 não posso ser triste, nem lamentar a sua morte. Pela memória dela, que me ensinou a ver as coisas pelo lado bom, é preciso aceitar o ritmo da própria vida e ser feliz.

Mesmo que para isso tenha às vezes de fechar os olhos, sentir sua cabeça no meu ombro e quase ouvi-la sussurrar: meu filho querido ...


Vida que segue, sempre para frente ...
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