Quem cuidado do tempero?

Temperos, quem está pensando neles?

por Marcos Meirelles


O Orçamento 2018 da Prefeitura de São José indica que o prefeito Felício Ramuth (PSDB) terá pouca margem para investimentos. 

Feito o ajuste nas finanças, o primeiro orçamento elaborado pela equipe do tucano aponta um município com sua arrecadação essencialmente comprometida com as despesas de custeio. Com isso, as grandes obras previstas são apenas aquelas que contam com outras fontes de recursos, como o BID.

Neste cenário, a alternativa de Felício é se dedicar ao arroz com feijão. Ou melhor, temperar de tal forma o arroz com feijão que os eleitores percebam, na simplicidade das ações, um governo responsável e eficiente.

Não é uma tarefa fácil.

Fala-se muito da necessidade do governo priorizar a zeladoria. Cuidar da cidade, acolher os moradores de rua, fazer a manutenção e fiscalização adequada das vias públicas, valorizar os espaços públicos como parques e praças, combater irregularidades como o avanço dos ambulantes clandestinos.

O governo precisa tomar cuidado, no entanto, para não cair na armadilha das ações de marketing sem sustentabilidade, como as operações belezuras de São Paulo. Ao mesmo tempo, tem que ser criativo para que suas ações não passem desapercebidas.

Criatividade, aliás, é o tempero que pode mudar o sabor deste arroz com feijão dos orçamentos comprometidos com o custeio.

Na saúde, Felício e PT travam uma guerra insana sobre o hospital para a mulher. Em vez disso, o tucano poderia se inspirar em iniciativas adotadas por outras prefeituras do PSDB no Estado para melhorar o atendimento e o acolhimento de gestantes, como o programa Mãe Santista, de Santos.

Na educação, não cabe mais investir em prédios e em tecnologias caríssimas, que prometem muito mais do que entregam. É melhor pensar o conteúdo que está nas salas de aula e fortalecer a formação dos professores, especialmente em matemática e português. E novamente, a prefeitura poderia observar iniciativas de outros municípios. São José tem, por exemplo, uma extensa zona rural e oferece uma oportunidade ímpar de engajar os agricultores locais em um programa de requalificação da merenda, a exemplo do que já fizeram cidades como Extrema (MG) e Paraty (RJ).

Não é exatamente um problema, portanto, que o cardápio disponível seja arroz com feijão. Mas alguém está pensando no tempero?

Marcos Meirelles é jornalista.
Este artigo foi publicado originalmente no jornal "O Vale" deste final de semana
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