Uma pedra no meio do caminho

Antonio Scorza/O Globo

A intervenção federal na área da Segurança Pública no Rio de janeiro, sob a análise da sempre atenta newsletter "Meio", do jornalista Pedro Doria:


Pois, conforme começa a atuar no papel de interventor, o general Walter Braga Netto vai encarar a parte mais difícil — e prioritária — de sua missão. A limpeza nas polícias Militar e Civil. Ele cobra, do Planalto, e por escrito, autorização para mexer na estrutura das instituições.

E... Segundo Gerson Camarotti, o Exército já tem inteligênciaa respeito da corrupção policial.

Entrevistado pelo Painel, da GloboNews, o general Augusto Heleno, primeiro comandante das tropas brasileiras no Haiti, foi duro. “A gente pode dizer que o policial do Rio de Janeiro é covarde? Eles são extremamente corajosos. Subir morro, debaixo de tiro? Tem de ter muita disposição. Fazem isso diariamente. Mas e essa história de a polícia ser corrupta? Num país onde a classe política derrete sob corrupção, começando pelo presidente da República, você acha que é fácil convencer o homem que está ali na ponta da linha, sendo mal pago, com péssimas condições de trabalho, mal armado, mal equipado, a não ceder a determinadas tentações?”

Elio Gaspari: “A ideia da intervenção na Segurança do Rio veio tarde e é curta. O governador Luiz Fernando Pezão precisa ir embora. Não tem saúde, passado, nem futuro para permanecer no cargo num estado falido, capturado por uma organização criminosa cujos chefes estão na cadeia. Sérgio Cabral (patrono de Pezão) e Jorge Picciani (‘capo’ do PMDB) não estão na cadeia pelo que fizeram na Segurança. Ambos comandaram a máquina corrupta que arruinou as finanças, o sistema de ensino e a saúde pública do estado. A corrupção e a inépcia policial são apenas o pior aspecto da ruína. Colocar um general como interventor no aparelho de Segurança, sem mexer no dragão das roubalheiras administrativas, tem tudo para ser um exercício de enxugamento de gelo. Ou algo pior: o prosseguimento de uma rotina na qual as forças policiais invadem bairros pobres e proclamam vitória matando ‘suspeitos’. A intervenção proposta por Temer coloca Pezão e seus amigos no mundo de seus sonhos. Num passe de mágica, o problema do Rio sai do Palácio Guanabara (onde mora há décadas) e vai para o colo de um general. Esse semi-interventor assumiria com poderes para combater o crime organizado. O Planalto deve burilar sua retórica, esclarecendo que não se considera crime organizado aquilo que o juiz Marcelo Bretas vem mostrando ao país.”

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