Navegar é preciso

Primeira edição saindo da máquina ...

Logo cedo, um amigo muito querido me lembrou que hoje, 4 de abril, faz 8 anos do lançamento de "O Vale", jornal que ajudei a criar e do qual fui editor-chefe até novembro de 2015. É, para mim, uma data importante.

E como não seria?

Não sou muito afeito a viver do passado, mas, participar da criação de um veículo de comunicação desde o início é uma aventura emocionante. Da definição da linha editorial à escolha da letra, do conceito gráfico da edição em papel às tendências da versão on-line foram etapas lapidadas no dia a dia por uma equipe coesa, determinada e dedicada, a qual tive o prazer de coordenar. Lembro, com carinho especial, da escolha da letra, no jargão jornalístico, da tipologia, o primeiro passo rumo ao jornal real, feita num 31 de dezembro, em conversa com Chico Amaral, à época designer-chefe do escritório da Cases i Associates em Barcelona. Guardo, com apreço, um caderno onde está traçado a lápis todo o desenvolvimento do projeto do jornal que viria a ser "O Vale", com conceitos inovadores para a época, mais tarde adotadas por diversos outros veículos. Relembro o processo de escolha do sistema editorial, um dos mais modernos do país, similar apenas ao usado pelo "Estadão". Somando tudo isso, chegou-se ao DNA do novo jornal, sua raiz, seus valores, sua inquietação de estar ligado diretamente ao leitor. Foi, com certeza, uma grande aventura, ao lado de uma equipe de Redação competente --Flávio Forner, designer que esteve presente em cada etapa de criação do novo jornal, Adelson Gomes, Sheila Faria, Marcos Meirelles, Tânia Campelo, Fábio Zambelli, Janaína Coelho, Cláudio Leyria, Lucimara Nascimento, João Júlio, Adenir Britto, Marcelo Pedroso, entre tantos outros. Riscar e fechar a capa da primeira edição, aguardar o jornal sair da máquina de madrugada, são, ainda, instantes mágicos na poeira do tempo.

Tudo isso, hoje, é, para mim, apenas memória.

Mas esse instante de criação intensa, que uniu arte e tecnologia, experiência de mercado e arrojo editorial, foi uma semente plantada em direção ao futuro. Muita gente discute hoje o fim da era do jornal em papel. Em seu projeto editorial, "O Vale" foi criado para ir além disso, como bem captou o publicitário Gustavo Gobbato no vídeo de lançamento do jornal, em abril de 2010. A crise do mercado e problemas internos atrapalharam essa trajetória que se desenhava linear, obrigando ajustes e cortes dolorosos. Tomei a decisão de deixar o jornal no final de 2014 e entreguei o cargo, formalmente, em novembro de 2015. Não me arrependo da decisão. Da época de "O Vale" guardo bons amigos, entre eles, Tadeu Gobbi, com seu humor cáustico de paulistano, sua capacidade de trabalho, sua honestidade pessoal ímpar. Hoje, o jornal mudou de formato e encara outros desafios, tendo como editor-chefe um filho meu, Guilhermo Codazzi da Costa --que chegou ao cargo por méritos próprios, como sempre foi, como ele sempre construiu a sua carreira, ao longo dos anos. Não poderia ser diferente. A ele desejo boa sorte e bom trabalho. Que ele seja, antes de tudo, feliz no comando da Redação, como eu sempre fui.

Hoje, 8 anos depois da primeira edição, lembro dela com carinho.
Para encerrar esse mergulho na memória e tocar a vida (afinal, só se vive para frente, me ensinou meu pai, Hélcio Costa), mando um abraço aos companheiros daquela jornada, daquela caminhada cheia de aprendizados, de erros e acertos, de noites em claro. Mando um abraço especial a Fernando Salerno, diretor-presidente da empresa, presente em cada etapa desse processo, mas que sempre deu carta branca para sermos ousados, para ampliarmos horizontes, para mudarmos conceitos e patamares, para cristalizarmos um novo DNA editorial, pautado por um jornalismo forte, corajoso, de qualidade. A você, Fernando, meu muito obrigado. 


E é isso. Desejo vida longa e sucesso ao jornal que ajudei, tempos atrás, a criar. Valeu a pena? Como nos ensina Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

E, como sempre digo, segue o baile. Afinal, navegar é preciso ...





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