Bolsonaro é café com leite ...


Estava encucado com isso ...

Luiz Inácio e sua camarilha assaltaram o Estado em ondas, do mensalão ao petróleo, sei lá mais que "ão" pode surgir por aí. Ok. Alguns já estão pagando e outros ainda vão pagar por esses erros graças à teimosia de ações severas, das quais a Lava-Jato é um exemplo. Mas um malfeito cometido por eles está longe, muito longe de ter uma solução. Graças a Luiz Inácio e seus amigos, que se apoderaram do Estado, o Brasil vive hoje uma forte onda conservadora, com vertentes bastante perigosas. Na ponta dessa onda, por exemplo, surgiu, em resposta aos xiitas de esquerda (gente que tem frente a Luiz Inácio uma adoração devota ou gente que acredita que opções radicais são a solução para a crise e para o país), surgiu uma direita obtusa, perto da qual Jair Bolsonaro e seus bolsomimions são fichinha, café com leite, como se dizia antigamente.

Isso é nota, por exemplo, na reação de muita gente aos "papéis da CIA", documentos divulgados agora e que ligam a cúpula da Ditadura Militar dos anos 70 (Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo) à execução de opositores ao regime. Cá entre nós, esse debate é mais velho que guaraná com rolha. Nunca um regime de força tomaria o caminho radical do extermínio como estratégia expressa de ação sem o aval de sua cúpula. Mas é preciso reconhecer, os "papéis" tem um mérito: são provas documentais, geradas por um governo aliado aos brucutus que mandavam e desmandavam no Brasil de 40, 45 anos atrás. É um fato histórico, importante para recompor o quebra-cabeça da nossa história recente. E que vai gerar muitos debates diretos e paralelos.

Bem, nem tudo é simples assim ...

Bastaram os "papéis da CIA" surgirem na mídia para que as redes sociais fossem invadidas por um debate caótico --que vai da negação da simples existência de Ditadura Militar no país entre os anos 60 e 80  (não houve ditadura, assim como o homem nunca foi a Lua, a Terra continua plana como antes do Renascimento e o Palmeiras tem Mundial) a defesas veementes do extermínio, pura e simples, de adversários políticos. Sem dó, nem piedade. Somos, nas redes, um país conflagrado, dividido, dominado pelo ódio. Isso é muito triste. Fruto do discurso obtuso da direita, com suas soluções simplistas para um país cada vez mais complexo. Fruto de um distanciamento perverso da elite política, econômica e intelectual do Brasil real, das pessoas reais e seus problemas. Fruto da esquerda que trocou a a ideologia pelo crime, pura e simplesmente, que trocou a chance de implantar um Estado social por um ataque sistemático e organizado ao dinheiro público, com desvio de verbas e com a criação de propinodutos para abastecer contas e interesses pessoais.

O que fazer? Para onde ir?

Não tenho respostas, mas muitas perguntas. Acredito que a solução não está nos extremos, nem nas rupturas institucionais, tão comuns na história do Brasil. A solução está na consolidação da democracia, na reconstrução do Estado (menor, menos invasivo no dia-a-dia do cidadão) e na criação de canais mais eficazes de representação política. Até agora, parece que temos optado pelo joio ao invés do trigo. Usando de forma bem livre e fora do contexto uma frase de Zygmunt Bauman, sociólogo da moda, deixamos de ser algo, mas ainda não somos coisa alguma. Esse mergulho no novo é dolorido, difícil, mas necessário. Agora, executá-lo fora das balizas do Estado Democrático, ele vira um mergulho no abismo, um salto mortal sem redes, um precipício.

E segue baile ...


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