A vez da jabuticaba

A crise da jabuticaba

Na casa da minha família, em Piraju, tem um pé de jabuticaba no quintal. Ele está carregado de flores, sinal de safra boa pela frente.

As jabuticabas de lá são uma delícia, grandes, doces, suculentas.

Pois é, essa frutinha que deixa alegres meus tios, tias, primos e primas entrou, de forma involuntária, na pauta da campanha política de 2018 graças a mais uma investida do general Hamilton Mourão (PRTB), que comparou a jabuticaba ao 13º. salário, duas coisas que, segundo ele, só dão no Brasil. Sabe nada, inocente, embora esse erro não seja só de Mourão. Assim como a jabuticaba dá em outros países, da Argentina ao México (embora a do quintal de casa seja a melhor do mundo, no que, garanto, concorda minha prima Gabriela Amorim), o 13º. também existe fora das fronteiras do Brasil, em países com uma economia atualmente bem mais forte que a nossa. Depois de pregar Constituinte sem povo, execrar as famílias criadas em torno de avós e mães e defender a volta da Educação Moral e Cívica ao currículo escolar, o vice de Jair Bolsonaro (PSL) agora tropeça na botânica, na legislação trabalhista e no bom senso. Defender o fim do 13º. salário em plena reta final da campanha eleitoral não é para qualquer um não ...


Dessa salada de frutas toda, o que sobra? 

Sobra que Bolsonaro é líder nas pesquisas de intenção de voto (as mesmas que ele e seus aliados atacam como fraudadas, vai-se lá entender a razão) sem que os eleitores saibam ao certo o que ele fará em um eventual futuro governo. Guedes --o Posto Ipiranga-- fala na volta da CPMF, mas Bolsonaro nega. Mourão fala no fim do 13º., mas Bolsonaro nega, e, capitão, manda o general calar a boca. Mas, Bolsonaro, afinal, o que fala? Ora, o Mito, como é chamado por seus aliados, não fala nem alhos nem bugalhos, muito pelo contrário, quando perguntado sobre alguma coisa fora do seu arsenal habitual de sandices, de ataques a negros, mulheres, comunidade LGBT, minorias e, agora, artistas da Rede Globo e jornalistas, de modo geral. Recentemente incluiu no arsenal uma ameaça direta: se não vencer é porque houve fraude eleitoral. Parece chororô antecipado, mas não: é uma senha para contestar o resultado das eleições, caso outro candidato tenha mais votos que ele. Mas, voltando à linha inicial do raciocínio, Bolsonaro não fala porque não precisa. Ele sabe que personifica o voto do brasileiro revoltando, do eleitor que está decepcionado com tudo e com todos. O eleitor que aposta na lógica Tiririca, pior que está não fica.

Pior que fica ...

Votar no escuro é um problema. Já deu errado com Fernando Collor (acabou em confisco da poupança) e com Dilma Rousseff (acabou na maior crise da história do país). E se, por algum descuido, Bolsonaro ganhar e Mourão assumir? Bem, já tivemos presidente que proibiu biquíni nas praias e outro que ressuscitou o Fusca. Além do 13º., Mourão pode querer acabar também com a jabuticaba em todo território nacional. Já pensou? Quem diria, agora sobrou até para a jabuticaba. Mas, Mourão, já vou avisando: fique bem longe das do quintal da minha casa ...

E segue o baile ...

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