40 anos em quase 40 linhas


Um presentão para a Comunicação


Escrevo essas mal traçadas linhas motivado pela foto que recebi ontem (e postei) do painel feito para comemorar os 40 anos do curso de Comunicação Social da Universidade de Taubaté.

O autor é o professor e artista Marcos Andruchack.

Trata-se de um presente muito bonito e especial para o curso que abriu caminho para tanta gente de talento vir a ser, de fato e de direito, jornalista, publicitário e relações públicas, entre outras fronteiras, em nossa região e fora dela (tem gente que passou ali espalhado pelo Brasil e pelo mundo a fora). Desbravou também mercado para que outros cursos de Comunicação Social fossem criados em outras cidades, por outras escolas.

Como descrever 40 anos em algumas linhas?

Conheci e trabalhei com muita gente de talento formado (ou que cursou, sem se formar) o curso de Comunicação da Universidade de Taubaté. Citar um ou dois nomes seria um risco. Eles são numerosos. Muitos deles, bons amigos. Outros tantos, entre eles alguns que vieram a se tornar amigos, ajudei, como editor de jornal, a completar sua formação profissional, com uma ponta de orgulho por ver seu talento ser evidenciado. Mas, mais do que isso, fui testemunha ocular da história da criação do curso, aproveitando o jargão famoso do Repórter Esso. Estudei nessa Casa, ao lado de alguns corajosos (malucos?) que formaram a primeira turma do curso de Comunicação Social da Unitau, 40 anos atrás. Na classe de jornalismo, entramos 40 alunos e saímos 12, quatro anos depois. Anos difíceis, anos em que o curso esteve à beira de ser fechado, tendo sido passado para as asas do Departamento de Letras como forma de garantir sua sobrevida.

Fomos teimosos e resistentes.

Regina da Costa Pimenta, Eliane Costa, Edwaldo Ribeiro de Oliveira, Nelson Lopes, Mariléia Hilário, Rosa Maria Araújo são alguns nomes da primeira turma de JO. Muita gente ficou pelo caminho. Benedito Carlos e Míriam Di Biasi fizeram RP. Luiz Augusto Bastos, PP. Tem mais gente. Quem mais?

Lembro que não tínhamos livros na Biblioteca (na verdade, a Biblioteca era uma fieira de livros, contados nos dedos), nem laboratórios, éramos abrigados em algumas poucas salas da Faculdade de Direito, mas tínhamos alguns bons professores e uma vontade louca de aprender. Fiz o curso trabalhando, como muita gente fez e faz ainda, descobrindo, na prática o que é ser jornalista. Orador da turma de JO na formatura, em 1982, cobrei da escola mais que giz e cuspe, para ira do reitor da época, Sebastião Monteiro Bonato, apelidado de Mussolini. Meu pai, Hélcio, presente à formatura, me deu os parabéns pelo discurso e disse: “Continue assim, você tem talento com as palavras e vai ser um jornalista corajoso.” Tentei, a meu modo, obedecê-lo.  Muito depois, três filhos meus cursaram JO por lá, dois se formaram. Minha mulher é professora lotada nesse Departamento. Mas isso tudo interessa apenas a mim, dentro de algum labirinto da memória.

Mas é bom.

E é bom ver a escola onde estudei, em outra era, em outros tempos, comemorar seus 40 anos de existência (mesmo tempo que tenho de profissão; números redondos são bons) e estar focada em revelar talentos, acalentar sonhos, servir de referência. E ganhar um presentão, feito por gente talentosa.

Nestes tempos bicudos, vida longa à Comunicação Social.

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2 comentários:

  1. Que lindo, Hélcio! Passou um filme pela minha cabeça e muita saudade pela minha memória! Fomos pioneiros e, apesar das dificuldades, fomos felizes. Lembro dos intervalos sentados no chāo do pátio,colocando o papo em dia e rindo de nossas próprias histórias. Foi bom. Sim, foi bom demais! E ainda ficou nossa amizade que, apesar de estarmos longe uns dos outros, é eterna! Obrigada por suas palavras e por nos transportar há 40 anos atrás da forma mais doce e lúdica possível! Beijos, querido!

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  2. Não sou nada saudosista mas lembrança como essa revitalizam a alma! Obrigada Hélcio Costa por puxar esse fio que me levou lá atrás e no espelho do tempo, vi uma Eliane magrinha ( primeira lembrança sensacional) , curiosa, insegura e desde então se achando a dona do mundo porque estava cursando Jornalismo na Unitau! Quantas estórias, quantas novidades de uma levada só! E quantas dificuldades!!! O curso era diurno e muito caro! Não tinha condições para pagar e de 120 alunos , apenas 3 conseguiram Crédito Educativo - eu , a Brasília e mais um que não me lembro! Estava escrito!!! Sou jornalista e tenho orgulho da história que venho escrevendo!!! Uma bela história, assim como deve ser a de cada colega e amigos dessa jornada !!! 40 anos, uma vida!!! Parabéns ao Departamento e a todos nós - pelo pioneirismo, resistência e persistência!!! Deveríamos marcar um Encontro - “ Muito além dos 40”!!!! Quem se habilita?
    Beijos para todos

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