O governador do Vale

Ary Kara José

Ary Kara José passou os últimos anos de vida magoado com a política.

Tinha lá seus motivos ...

Mas a morte de Ary Kara nesta sexta-feira, vítima de câncer, é um desfalque sentido em uma geração que mudou o  mapa político da região no final dos anos 70 e, com mais intensidade, a partir das eleições gerais de 82, a primeira para governador do Estado depois de anos e anos de gestores biônicos, durante a Ditadura Militar. Franco Montoro foi eleito governador a bordo do MDB. E a onda do MDB varreu o Vale do Paraíba: Ary Kara e João Bastos foram eleitos deputados federais, Geraldo Alckmin e Luiz Máximo alcançaram a Assembleia Legislativa do Estado e, nas prefeituras, nomes como Robson Marinho, José Bernardo Ortiz e Thelmo de Almeida Cruz inverteram a ordem do poder em São José dos Campos, Taubaté e Jacareí, isso para falar apenas das maiores cidades. Na equação política de 82, uma curiosidade: Ary Kara foi o avalista da candidatura de Alckmin, contra a vontade do então cacique-mór do MDB na região, Robson Marinho. Anos depois, Ary e  Alckmin romperam, mas isso já é outra história.

Quem sabe outra hora eu falo dela ...


Mas, voltando ao eixo dessa prosa, Ary cresceu politicamente na era Montoro, ganhou poder e nos governos Orestes Quércia e Luiz Antonio Fleury virou uma espécie de governador do Vale. Termo, aliás, criado por Quércia. E que Ary usou com prazer. Mandava e desmandava, fazia chover e fazia secar, nomeava e desnomeava diretores e diretores das mais diversas áreas do Estado, da Educação ao Meio Ambiente, do Transportes à Segurança Pública, sua pasta preferida. Mas, como o mundo gira e a Lusitana roda, a chegada do PSDB ao poder coincidiu com uma safra cada vez mais magra de votos. Barrado nas urnas, com espaço reduzido em Taubaté graças a ação de Bernardo Ortiz, seu inimigo político, Ary acabou se dedicando ao esporte (comandou o Taubaté) e a projetos menores até ser tirado, de vez, do palco, muito em razão de problemas sérios de saúde. Era bom de prosa, rendia fotos impagáveis dormindo nas reuniões do Codivap (a cada foto publicada, uma reclamação do deputado chegava à Redação), colecionou, pela vida a fora, amigos e inimigos.

Sua morte é uma pena.

Ary deixa a lição de que o poder, por maior que ele seja, sempre é efêmero. A lição é estar pronto para os tempos das vacas gordas e das vacas magras.

À família, meus votos de profundo pesar.

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