11. Histórias da quarentena: filas



11.    Histórias da quarentena:  filas

Além do medo da morte, da ansiedade e da solidão, outro efeito da pandemia foram as filas. Nunca antes na história desse país ...

No início do isolamento não havia quase nenhuma. Bastou abrir um pouco e elas vieram. Intermináveis. As primeiras foram na Caixa, graças ao auxílio emergencial de R$ 600. Depois elas se multiplicaram. Hoje, há filas para entrar na fila. Bancos, lojas, supermercados, farmácias. Para evitar aglomeração dentro das lojas, elas escoam pelas calçadas. Colares de gente, cada pessoa uma conta, serpenteando pelas ruas, sob o sol, sob a chuva. Nunca houve tantas. Nunca tanto tempo foi gasto para esperar a sua vez de comprar pão, pagar uma conta, tirar dinheiro no caixa eletrônico, postar uma carta no Correio, comprar remédio para dor de cabeça, pois, para fila, não há remédio. De A a Z da lista telefônica, as empresas prometem acabar com as filas graças ao atendimento on-line. Ao delivery. Ilusão. Teimosas, as filas sobrevivem a bytes, megabytes, gigabytes. Uma hora ou outra, por mais esperto que você seja, mais plugado, mais sortudo, uma vai pegar você de jeito. E você vai ficar lá, congelado naquela massa humana. Distanciamento zero. Uma massa massa compacta, que respira, inspira, funga e tosse ao mesmo tempo. Uma massa indócil. Tem um que sempre quer passar na frente. Tem o que reclama da demora. Tem o que encosta nas suas costas para descansar. Tem um que pouca fala, tem o que não responde à pergunta mais importante daquele momento: aqui é o fim da fila? E se não é?Filas, mais um motivo para seguir a risca: fique em casa. Em casa não tem fila. Será?

Segue o baile ...
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