15. Histórias da quarentena: a morte




15. Histórias da quarentena: a morte


Nunca tive medo da morte. Não que eu tenha coragem extrema, longe disso. Mas é que a morte nunca esteve presente na minha cabeça.

Vivi, até agora, pensando na vida, embora tenha convivido com a morte em diversos momentos dela. A morte de meus pais, a morte dos meus avós, em especial, meu avô paterno, José Olympio, tios queridos, um ou outro amigo, colegas de profissão. Conheci, da morte, a tristeza. Muitas vezes profunda. Mas não o medo de encará-la, um dia. Não tinha antes, nem tenho agora, com o fantasma do coronavírus. Sei de muita gente que ficou, sei de muita gente que ainda está. Não julgo. Nem posso. Cada um, cada qual. É difícil encarar o desconhecido, viver sob alerta. Eu, penso só que a vida é finita. A gente não tem controle sobre ela. Um dia, ela vai acabar, sem aviso. As horas deixarão de passar, as ondas ficarão congeladas no vaivém do mar, o sol não vai brilhar mais. Não haverá mais hoje, nem amanhã. Beijos, abraço, carinhos, estagnados. Trabalho, abandonado como está. O escuro vai tomar conta de tudo e não restará mais nada. Nem mesmo o nada. Não existe alternativa, nem fim diferente desse. Mas não tenho pressa. Nenhuma. Até lá, vou viver a vida como sempre vivi, olhando para frente, pensando no que vou fazer agora, daqui a pouco, amanhã, na semana seguinte. A vida é generosa, me ensinou uma pessoa que tem a chave do meu coração. Espero que seja longa.

Segue o baile ...
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