5. Histórias da quarentena: café



5.    Histórias da quarentena: café

Café! Como é bom começar o dia com um café ...


Acordar cedo, colocar a água no fogo, medir o pó e esperar ferver, com a água chegando ao ponto de ebulição. O cheiro do café sendo coado. Gota a gota. Forte, invadindo os cômodos da casa. Depois é servir uma boa xícara, adoçar com capricho (calma, doutor Escobar, só tomo café doce em casa; fora, prefiro sem nada, puro) e sentar na varanda para beber um gole de café bem quente, fresco, olhando a Serra da Mantiqueira, azul, navegando nas nuvens, como um transatlântico no horizonte, imóvel na paisagem quieta. Café! Prefiro o que passo, mas, ele, café, está presente na minha vida, nas minhas memórias mais profundas. A primeira lembrança que tenho vívida na memória tem a ver com café, levado pela minha mãe, na cama, como um sinal de que começava o dia. Um gole de café preto era mais que um beijo. Era um beijo e uma ordem: sai da cama, menino. O novo dia tinha aroma de café (e torrada de pão amanhecido). Hoje cedo, ainda frio, mergulhei nas memórias e no odor encorpado que vinha da xícara, quente, no frio da manhã. Herança da família, passada de geração em geração. Dois dos meus filhos adoram café. Dois nem ligam. Um tio distante mandou plantar no quintal da casa da família, em Piraju, uma rua de café para que ela florisse ao alcance dos olhos de minha tia, para que ela, na cidade, não sentisse saudades da fazenda. Branca, delicada, a flor do café enchia os olhos da mulher, que retribuía a gentileza com sorrisos e suspiros tristes. Hoje, a fumaça subiu da xícara fazendo curvas sonolentas, dando, sem pressa, bom-dia para uma cidade ainda silenciosa, com o sol rompendo a bruma da manhã. Que tal tomar um bom café?

Segue o baile ....
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